O par

Quatro asas a dançar no ramo 
quatro leques a agitar o ar;
cumpre-se o ritual da primavera
de duas mansas criaturas – um par

que na estranha dança nupcial
(jogo que retrai e une)
surge a provocar vertigem
no segredo doce que resume

dois corpos enlaçados.
Vai e vem em rodopio original; 
atração banal ou natural recusa
que se aninham ao desafio final.

A tensão agiliza as asas: 
proas altivas - sem esgar nem gemido.
A tília dá a sombra, templo onde pousam
no baixar de guarda já tardio.

A volúpia que esmorece - o avanço e o recuo.
Segredo no requinte da eterna dança 
que resume o essencial - a continuação da espécie.

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