Nenhum poema

Num leve espanto
o poema pousará no céu da minha boca:
não ficará inscrito em casca de árvore
não cicatrizará em lugar de passagem
não sujará de cinza a tua pele.
Perpétuo por um triz
só o lugar efémero da paisagem
que muda a cada dia; gesto previdente
gerindo de rédea forte
pente fino
o que quer manter-se eternamente.
Em tronco algum ou pedra de caminho
deixarei de peito aberto a cicatriz:
(só sombra negra amplia a dimensão)
não puxarei o novelo pelo fio:
não deixarei pegada em trilho quente.

Foto de Erik Mclean no Pexels

3 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.