Último voo

ave em voo
Ilesa sai a ave que rasgou a tarde
e regressa cansada e devagar
no momento breve em que lhe falha o ar 
em lento voo e poiso angustiado.

Na tarde imensa uma mão tremida
roça-lhe as penas ao de leve
e no finito azul do seu destino breve
são atentos os olhos que a seguem.

Treme a sombra maior que o seu tamanho:
a palha, a folha, a pena em movimento
um estranho e fugaz entendimento
dum corpo à terra destinado.

A ave cai ou poisa 
ou morre de repente
e tudo estaca, tudo pára à sua frente
e tomba leve e limpa em chão molhado.



Foto de Flo Maderebner no Pexels

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