Adeus

flor seca que representa a morte, o adeus
Fecharam-se as asas do meu vento
e as colunas que seguram o universo
não desabaram na hora calma da despedida.
Os meus pés ficaram sem chão
e o abraço fecha-se no sossego do lugar onde poisa a alma.
Nada se moverá e tudo será silêncio; a ruína implacável do corpo
como se nada mais restasse depois da explosão do final do tempo.
O passado será o vazio de um poço sem fundo
onde rodopiam as penas leves das aves em voo terminal.  
Já não serve o elo de ligação que nos uniu
nem a lei radical que nos separou:
rasgaram-se as páginas finais do nosso livro
e o texto que escrevemos dissipar-se-á pelo espaço
como asas de borboletas voláteis reduzidas a pó.

A partir daqui a imaginação atingirá o máximo da sua capacidade
como o recipiente que transborda o continente – um novo mar
uma terra nova - e a ausência galgará os diques e inundará os vales.
Alisada pelos ventos 
procurar-te-ei no último grão de areia 
da última duna do deserto 
e difícil será percorrer o caminho sem olhar para trás.
Se Deus consentir, petrificarei no sal das marés
e sem olhos, sem braços e sem pés
dormirei ao teu lado até ao final dos tempos. 

Foto de Akshar Dave🌻: https://www.pexels.com/pt-br/foto/flores-vermelhas-secas-1440477/

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